Com um aparato policial como embrulho que o jogo dispensava, quem imaginaria que a questão seria resolvida ao tiro? Entre a protecção desmedida, emergiu Kelvin, a tombar quem se julgava invulnerável. Fazê-lo para lá dos 90, tornou o disparo ainda mais preciso. Limpinho, numa palavra. Com a vitória (2-1), absolutamente merecida, o FC Porto ficou a outra de renovar o título. Mas nada está ganho ainda.

À entrada intensa e nervosa, que esteve na origem de vários passes errados, sucedeu um prolongado exercício de domínio portista, que produziu os melhores lances, sem, no entanto, gerar o golo. Esse aconteceu, sem aviso, na outra baliza. Depois dos remates de Danilo e Fernando, o Benfica marcou sem que nada o fizesse prever, num lançamento lateral e na sequência feliz de uma série de ressaltos que deixou Lima sozinho para fazer o mais fácil aos 19 minutos.

Sem acusar o toque, o bicampeão recompôs-se e não precisou de mais de seis minutos para eliminar a injustiça que o deixara 
em desvantagem, mesmo que por pouco tempo, frente a um adversário que não fazia muito mais do que tentar o contra-ataque. Marcou Varela, num remate cruzado, com Artur a não fazer mais do que confirmar o golo.

Reposta a normalidade, o FC Porto mantinha a supremacia e recuperava o controlo do jogo, acentuando a configuração de sentido único, desfeita esporadicamente nos arranques rápidos do opositor. O Dragão jogava mais, mas as aproximações a novo golo nem sempre eram definidas com a precisão necessária para anular a distância que separa os actos das intenções. 

No melhor dos propósitos, James, isolado, acertou no poste, com apenas cinco minutos para jogar e o opositor em incansáveis exercícios de desperdício de tempo, longe de imaginar que no ridículo do processo de “queima” o feitiço acabaria por virar-se contra o feiticeiro. Sim, porque se até aos melhores acontece, por que não haveria de acontecer ao Benfica?

Já depois de levantada a placa com quatro minutos de compensação, Kelvin, na esquerda, assistido por Liedson, encheu o pé e desenhou o prémio merecido e o castigo supremo para a soberba táctica que fez subir o autocarro ao relvado. Entre o “Vermelhão” e os jogadores que transporta, a bola entrou junto ao poste mais distante, para despertar, num cómico mecanismo, a pressa súbita de Artur, aquele que mais se divertira, até então, a deitar o tempo fora. Foi lindooooo!

FICHA DE JOGO

FC Porto-Benfica, 2-1
Liga portuguesa, 29.ª jornada
11 de Maio de 2013
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 50.117 espectadores

Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)
Assistentes: Tiago Trigo e Bertino Miranda
Quarto árbitro: Luís Ferreira

FC PORTO: Helton; Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, João Moutinho e Lucho (cap.); James, Jackson e Varela
Substituições: Fernando por Defour (73m), Lucho por Kelvin (79m) e Danilo por Liedson (84m)
Não utilizados: Fabiano, Abdoulaye, Castro e Sebá
Treinador: Vítor Pereira

BENFICA: Artur; Maxi, Luisão (cap.), Garay e André Almeida; Salvio, Matic, Enzo Pérez e Ola John; Gaitán e Lima.
Substituições: Gaitán por Roderick (67m), Lima por Cardozo (73m) e Ola John por Aimar (84m)
Não utilizados: Paulo Lopes, Melgarejo, Rodrigo e Urrega
Treinador: Jorge Jesus

Ao intervalo: 1-1
Marcadores: Lima (19m), Varela (25m) e Kelvin (90m+2)
Cartão amarelo: Enzo Pérez (46m), James (56m), Matic (59m), Fernando (66m), Defour (80m), Artur (85m) e Helton (90m+3)

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